sábado, 7 de fevereiro de 2015

Renata Mazzei


Atriz. Mestre e doutoranda em artes cênicas pela ECA-USP. Desde 2007, integra o Centro de Pesquisa para Atores (CEPECA), sediado na USP, e leciona interpretação para iniciantes em cursos profissionalizantes.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
No projeto que estou fazendo parte agora (ap. 43), que é um grupo de pesquisa coordenado pela preparadora de elenco Nara Sakarê, de onde sairão vários curtas, o que me atraiu foi o fato de criarmos os personagens a partir de estímulos próprios sem ter um roteiro já definido. Os roteiristas e os diretores foram chegando quando já tínhamos os personagens amadurecidos. É o que Stanislavksi sempre mencionava em suas pesquisas: a importância do trabalho do ato-criador, cujo material de criação mais precioso é o que ele encontra dentro dele mesmo.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Eu que venho do teatro foi extremamente prazeroso por um lado e difícil por outro. Prazeroso pela forma como o processo está sendo conduzido e pelo profissionalismo das pessoas envolvidas. Mas difícil porque venho das artes cênicas, onde a expressividade do ator tem um outra qualidade por estar em um palco onde o corpo todo é visto e muitas vezes o público está longe dos atores. No cinema existe uma câmera passeando pela cena e o microfone captando o som. Além disso, poder criar livremente para, em um momento futuro fazer um curta, é muito bom porque você pode organizar a sua criação em um pequeno roteiro e levar isso para a tela com o suporte de pessoas muito capacitadas.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que não tem espaço por causa das prioridades dos veículos de comunicação. Tanto no teatro como no cinema, a concorrência para conseguir um espaço na mídia é cada vez maior e mais cara. Então, as grandes produções acabam ocupando a maior parte do espaço dos jornais e revistas. A internet tem sido uma grande aliada nesse aspecto porque atinge muitas pessoas e o acesso é mais fácil.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não sei dizer ao certo, mas talvez organizar mais mostras de curtas a preços populares. Uma coisa que tenho visto de interessante é que alguns canais a cabo estão reservando espaços na sua programação pra exibição de curtas brasileiros. Acho que esta estratégia ajuda a atingir mais público porque pessoas que nunca viram um curta, passam a ter contato.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim, com certeza. Conheço muitos profissionais das três áreas citadas  que usam o curta-metragem para desenvolver pesquisas e experimentar procedimentos e ideias novas. Esse grupo do qual faço parte (AP 43) é um exemplo de lugar para experimentações tanto para os atores, como para os diretores e roteiristas, que resultarão em curtas e quem sabe um longa.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Penso que pode ser um trampolim sim. Primeiro porque você pode se exercitar em uma obra mais curta, tendo assim tempo pra aprofundar o trabalho. Segundo porque fazer um curta é mais barato, portanto, mais factível a princípio. Então, não deixa de ser uma fonte de divulgação do trabalho de todos os envolvidos, desde a atuação até a direção. Além disso, o ator no  Brasil não tem muito espaço pra praticar atuação para cinema. Não tem cursos específicos pra isso e não tem uma grande quantidade de produções sendo feitas, então,  o ator vai ficando sem prática. Nesse aspecto a participação em curtas pode também ser muito útil.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acho que exista uma receita, mas um bom projeto tem que ter um bom roteiro e pessoas envolvidas com know-how pra colocar em prática o que consta na teoria.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não penso nisso porque o meu foco é a atuação. Gosto de ser atriz. 

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