quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Aly Muritiba


Cineasta. Seu curta-metragem “Pátio” ganhou dois prêmios no festival ‘É Tudo Verdade’.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Se for um convite, o que nunca me aconteceu, um bom e instigante roteiro, ou um bom e instigante dispositivo, ou um bom e instigante cachê. Se os três estiverem juntos, melhor. Normalmente eu faço curtas, porque os escrevo, e como ninguém quer dirigir o que escrevo, dirijo eu mesmo.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Bem, esta experiência começou em 2007, quando fiz meu primeiro curta, o "Convergências". Desde então tenho escrito e dirigido curtas e foi com este formato que aprendi o pouco que sei. Não acredito que haja escola melhor que meia dizia de curtas.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque não é um produto amplamente consumido. Aliás, é, mas é através da internet e agora, com a nova lei 12.485 está sendo veiculado nas TVs. Creio que a mídia não se importe tanto com o formato porque os leitores não se interessam. Ou será que os leitores não interessam justamente porque a mídia não se interessa? Esta explanação me lembrou a bolacha tostines...

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eles devem ser exibidos nas TVs, inclusive nas TVs abertas, e na Internet. E creio que se antes das sessões de cinema, ao invés de publicidade fossem exibidos curtas, mas bons curtas, o publico ira gostar. Mas aí já estou fantasiando, porque exibir curtas no lugar de publicidade não dá dinheiro.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem sombra de dúvida.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Jamais. Conheço um monte de gente que faz publicidade, nunca fez um curta, e já tem alguns longas no currículo. Conheço uns que só fazem curta e estão satisfeitos com o formato. O curta te possibilita uma experimentação muito maior que o longa, além do exercício de síntese, que me agrada bastante. O curta está para conto, assim como o longa para o romance. Um formato não é melhor nem pior que o outro, cada um tem suas especificidades.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não há receita. E depende muito do que você considera vencer. Se fazer um milhão de expectadores for vencer, então a receita é: pegue 2 atores globais, preferencialmente jovens e bonitos, um roteiro novelístico de comédia, junte a logo marca da Globo Filmes, consiga uma major para distribuir, bata tudo no liquidificador, depois unte numa forma bem grande uns 2 milhões de reais para ser investido em mídia, leve ao forno por 8 semanas (em cartaz) e desfrute. Agora se vencer for fazer bons filmes que sejam relevantes, aí amigo a receita é mais difícil de se conseguir, talvez perguntar ao Kleber Mendonça, Sérgio Borges ou Marco Dutra seja um bom começo.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Sempre. Estou realizando um curta de animação neste momento, e ainda neste primeiro semestre devo dirigir mais um. Faço longas, e continuarei fazendo curtas.

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