sábado, 24 de janeiro de 2015

Vera Bonilha


Atriz. No cinema participou do curta-metragem "Selvagem" de Daniel Lopes e dos longas-metragens "Jogo Subterrâneo", de Roberto Gervitz; e "Quanto Vale ou é por Quilo?", de Sergio Bianchi, e dos curtas-metragens "O Presente" de Cauê Custódio, e "Merda di Vida" de Mauro Dáddio. Realiza ainda trabalhos na área de Locução e Dublagem (como "Garoto Cósmico", de Alê Abreu; e "Memórias Póstumas", de André Klotzel).

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu adoro cinema. Gosto de muito assistir e muito mais de fazer. Sou dessas atrizes que adoram estúdio, de falar baixo, de repetir a cena, do olho no olho, do famoso.... "menos é mais". Para mim atuar no cinema é mais difícil que no teatro ou na TV, é um desafio, afinal, como dizia Godard "O cinema deve ser a verdade 24 quadros por segundo", e eu adoro! Quando estou envolvida numa produção fico tomada, digo aos meus amigos que poderia filmar todos os dias da minha vida...

Então, fazer um curta é, para ser sincera, o que eu gostaria de estar fazendo agora. No cinema sou uma atriz bissexta, mas mesmo assim gosto de ler o roteiro e conversar com o diretor antes de aceitar um convite, porque quando o diretor não sabe o que quer, corre-se o risco do filme se tornar um grande desgaste para todos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sou formada em cinema pela Faap. Na verdade houve uma época da minha vida em que entrei numa verdadeira crise com o teatro, com ser atriz e fui fazer cinema. Eu adorava cinema e resolvi abandonar a atuação e descobrir em qual área, por trás das câmeras, eu poderia me encaixar no cinema. Achava bonito a direção de arte, fotografia, roteiro e queria me aprofundar para tentar mudar o rumo da minha carreira. O fato é que durante todo o curso eu me identificava mesmo com as aulas de direção de atores, e no meu filme de formatura acabei exercendo essa função. Em outro curta na faculdade me convidaram para testar os atores e no final acabei sendo convidada para atuar também. Ou seja após anos de faculdade me formei no que eu já fazia, atuar e trabalhar com atores. Esse curta-metragem chama-se "O Presente" dirigido pelo Cauê Custódio e foi meu primeiro curta-metragem. De lá pra cá fiz mais alguns. Sempre atuando.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque têm pouca visibilidade. Não estão nas salas de cinema comerciais, e aparecem muito pouco na TV. Mas não acho que haja um preconceito do público em relação aos curtas, mas talvez dos exibidores e distribuidores.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que deveria haver mais festivais, pois o público teria acesso a vários curtas. Eu muitas vezes fui para assistir um específico e acabei ficando para ver outros e foi muito bacana. Outra possibilidade seria passar antes dos longas como acontece com os desenhos da Pixar, ou como acontecia nos cinemas nos anos 80. A gente gasta um tempão vendo trailer, propaganda e eu acharia bem melhor assistir um ou mais curtas antes.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Deveria ser, mas não acho isso uma regra. Tem curtas muito caretas, e longas mais arrojados. Depende do diretor. Como o curta é mais barato e pode-se filmar com câmera digital, os diretores e roteiristas poderiam ousar mais, mas vejo muita gente tentando reproduzir um modelo mais conservador.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Para um diretor, sim. Porque é muito difícil que um diretor que não passou pela experiência de um curta, venha a dirigir um longa. Mas para os atores não necessariamente. Atores que nunca fizeram um curta, podem fazer um longa com um personagem menor, se não tem muita experiência.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Participar dos Festivais Estrangeiros!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso, mas por enquanto gostaria de fazer mais como atriz.

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