terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gabriella Vergani


Atriz. Atuou na websérie “It Girls 2″.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Sou amante de cinema. Curta-metragem pra mim, tem sido a oportunidade de não apenas assistir e sim poder vivenciar o cinema.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Participei de nove produções de curtas, profissionais e outros realizados por estudantes de Cinema. O que mais gosto dentro de um set de curta é a vontade e a vocação que cada profissional leva para fazer daquilo o melhor possível. Um misto de vontade de realizar e competência. Profissionais talentosos que estão aptos a produzir e amadurecer. Afinal, cinema, é muito mais do que uma câmera e atores. Por traz daquela câmera, cada um tem sua importância e todos juntos, fazem daquilo um filme.

Aprendi com a experiência de lidar com produções diferentes, que os curtas que se mantiveram numa postura profissional, tanto na pré-produção quanto no set, com o comprometimento com a equipe, foram aqueles que renderam frutos e que não passaram despercebidos. Mas, às vezes, a falta de dinheiro é desestimulante, o que faz o curta-metragem não passar de um “trabalho de escola”. Porém, acredito, como prova viva de um curta que participei e que foi ótimo para minha carreira, que para realizar um curta, se faz necessário: talento, determinação e postura profissional, que é o bastante para ir além.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Temos uma experiência política em geral mergulhada nas trevas. Essa carência não só dos curtas, assim como o cinema independente, onde não há espaço, não há investimentos e não há apoio financeiro o suficiente. Como disse na questão anterior, fazemos porque amamos e acreditamos na arte da transformação. Uma vez que dinheiro mesmo, não se vê. Porém, sou otimista e acho que o Brasil tem muito a crescer. Acredito ainda, que um dia possamos ser mais do que um país do futebol, onde a mídia realmente investe.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho bacana os festivais de curtas. Entretanto, percebo que neles comparecem apenas profissionais da área e não aqueles que vão ao cinema num sábado à noite. Porém, não deixa de ser uma oportunidade para mostrarmos nosso trabalho aos outros profissionais. O Canal Brasil, apoia bastante os curtas e acho isso um exemplo. Teríamos que fazer a informação chegar até o espectador para ele aprender a conhecer outros estilos e saber que pode também ir assistir um festival de curta-metragem. É viável, um investimento em educação cultural. As pessoas ligam a TV e o que elas veem é só a novela. Isso desestimula conhecer o inesperado.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Uma viagem naquilo que você realmente acredita, diante daquele personagem e roteiro. Sem padrão, sem crítica, sem pudor!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Um trampolim não diria exatamente, um grande exercício real.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Vou perguntar ao Fellini e já volto. Fellini desconhece o audiovisual brasileiro rs. Pois é... Digo pelo cinema, em minha opinião, todo cineasta é um pouco autobiográfico, e acreditar na identidade do seu próprio cinema é o primeiro e grande passo. Para vencer não sei se é o caminho, mas existir e persistir como artista.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não. Aprecio muito, mas não me vejo fora da tela. Gosto de estar vivenciando a viagem do diretor.

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