Atriz. É protagonista do filme "Amor Líquido", dirigido por Vítor Steinberg.
O que te
faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Porque eu
amo fazer cinema, independente se é num filme de longa ou curta-metragem.
Agora, o que me leva a escolher determinado filme para atuar, primeiramente é o
roteiro. Depois o trabalho do diretor. Quero sempre saber a visão dele do
roteiro, como ele pensa a câmera, o som, o tempo do filme. E eu gosto de fazer
curta-metragem porque tem muitos roteiros bons por aí.
Conte
sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minhas
primeiras experiências com o cinema foram em curtas-metragens. Foi onde aprendi
a fazer cinema. Tive experiências bem variadas, e o que me fascina é o trabalho
em equipe, onde todo mundo é fundamental para o filme ser bom!
Por que
os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Existem
espaços em São Paulo, como a cinemateca que colocam em sua programação curtas-metragens,
temos na cidade e no país festivais de curta. O de São Paulo (Kinoforum) é
muito legal, mas percebo que é um público formado em sua maioria, pela classe
artística. E talvez seja justamente por isso, que não tem uma crítica em
jornais e mídia geral, não vejo uma formação de público para tal mercado.
Na sua
opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antes da
problemática da exibição, acredito que tudo começa na escola. Se tivéssemos em
todas as escolas cursos de cinema, música e outras artes, não formaríamos
apenas artistas, formaríamos um público educado, consumidor de arte. Mas uma
ideia, é exibir curtas-metragens antes dos longas para ganhar público, força e
consequentemente mais espaço para exibição.
O
curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção)
é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não vejo
desta maneira. Ele simplesmente é um filme de menor duração. Assim como existem
longas-metragens mais experimentais, existem curtas-metragens menos experimentais.
Quando vou atuar, não penso se é um curta ou um longa, experimento de acordo
com que me é proposto pelo roteiro, pela direção, e pelo o que eu sinto do que
a personagem pede.
O
curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não
necessariamente, mas comigo foi (risos)! Existem atores que já começam fazendo
longa, outros que chegam no longa pela televisão, e atores que fazem muitos
curtas que nunca fizeram um longa! É meio inexplicável. Não tem uma regra.
Qual é a
receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Estou
filmando o longa-metragem, Amor Líquido (direção de Vítor Steinberg) e nosso
maior obstáculo é a falta de incentivo, porque todo o resto para vencer,
conseguimos reunir: as pessoas talentosas. Com esta experiência te digo que ter
a receita é ter incentivo, talento e paixão reunidos.
Pensa em
dirigir um curta futuramente?
Já
pensei, mas no momento me dedico à atuação. Só que assistindo aos filmes sempre
fico atenta à direção. Reparo como a posição da câmera muda a intensidade da
atuação. Por exemplo: uma câmera mais fechada no olhar exige uma atuação mais
intimista. Já num filme de ação, percebo que a câmera é mais aberta e exige
outra intensidade. Essa parte técnica da direção, com certeza, fortalece meu
trabalho como atriz, que agora é o meu foco!