terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Felipe Joffily


Cineasta e produtor. “E Aí... Comeu?” e a franquia “Muita Calma Nessa Hora”, todos com Bruno Mazzeo, estão entre os seus principais trabalhos.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Os curtas são projetos pessoais onde experimento e crio uma condição mais dinâmica para participar de festivais. Participar de festival é como fazer diplomacia cultural, e também é acadêmico e divertido. Com os curtas posso assumir uma autoridade como diretor e produtor que não tenho nos longas como contratado.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minhas primeiras experiências em curta vêm da faculdade e dos cursos de cinema. Tive também com os curtas a prova de que é possível ser realizador de cinema. As ações entre amigos que normalmente dão início as essas primeiras experiências formam o profissional na prática. Na produção de curtas eu aprendi sobre coletividade, como tomar decisões pelo grupo e para o grupo. Produzi e dirigi um curta chamado "Cana" que nunca exibi apropriadamente, nem mesmo para os atores. Fiquei enfiado numa ilha tentando corrigir o que era incorrigível, sem me dar conta de que estava pronto. Me transformei naquilo que mais temia, um "Chatô". Decidi que não faria mais curtas, aquela experiência, um curta entre amigos em dois dias para produzir 10 minutos de história multiplicado por 8 seria um longa. E foi assim que fizemos o "Ódiquê?", meu primeiro longa, reproduzimos os mesmos modelos de produção multiplicados por 8, entre amigos, 16 dias, 80 minutos, e desta vez, com a promessa de ir até o fim!

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porquê não faz parte de um modelo comercial, de uma certa maneira, ainda bem.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A multiplicidade de possibilidades de exibição que existem hoje, principalmente motivadas pela internet e pela onda de digitalização na captação e exibição, transformarão todos os padrões de formado e linguagem. A interação será muito mais seletiva e direcionada. Os festivais terão provavelmente mais mostras paralelas ou mais festivais de perfil e gênero. E como já acontece, a busca por conteúdo para atender as demandas dos canais de exibição, seja lá quais forem, abrirá um grande novo mercado.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Levando em consideração que o profissional atue também em outra área, sim. Mas acreditar que o curta é um espaço laboratorial pode limitar seus filmes a isso. A experimentação é sempre de ida e vinda. Eu experimento quando faço comercias, videoclipes, curtas e longas, cada um com um propósito. Liberdade e experimentação também devem ser inconscientes.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não necessariamente. São formatos distintos. A quantidade de profissionais que não fez um ou outro prova o contrário. O curta-metragem assim como o longa são oportunidades de exercer a profissão e produzir arte.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não existe receita. Mas eu recomendo fé, exercício (pra saúde também) e personalidade.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Minha última experiência com o "Sobre o Menino do Rio" foi excelente, passei por vários festivais e fiz novos amigos. Estou terminando de produzir o curta de um amigo americano, já em fase de mixagem de som, e aguardo a próxima oportunidade. 

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