sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ana Saggese


Atriz e roteirista. Atuou em “Vídeo Azul”, com direção de Nando Olival e escreveu “Crônica dos Mortos Vivos”, de Jimi Figueiredo.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu adoro o formato. O curta-metragem propicia uma concisão de linguagem muito interessante. Sem contar que a maioria das pessoas começa fazendo curta, o que faz com que exista mais experimentação. No curta, a equipe, geralmente, é toda de principiante, dos atores aos técnicos, que vêm loucos para trabalhar e com uma olhar mais arejado, menos convencional. O cinema nasceu curta-metragem. Toda vez que ele se distancia muito do seu formato, acho que entre em decadência.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Eu comecei trabalhando como atriz, num filme chamado “Vídeo Azul”, do Nando Olival e depois fiz uma participação em outro trabalho. Depois, passei a escrever curtas. Acabei de escrever um longa-metragem “Crônica dos Mortos Vivos”, do Jimi Figueiredo. Mas já estou louca para voltar a escrever curta metragem.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque ficaram restritos aos festivais. Eu acho que deveria, como já houve, existir uma obrigatoriedade de se passar curtas entre os filmes no cinema. Isso iria fomentar a produção. Nos anos 80\90, a gente consultava o roteiro do cinema para saber que curta estava passando antes dos filmes que a gente queria ver. Lembro de assistir curtas do Jorge Furtado nessa época.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que as TVs estatais e a cabo também teriam que passar curtas e ter programas dedicados a eles. Porque é onde vão sair as pessoas mais criativas.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza. Num filme com grande orçamento, você não pode errar a mão. Isso quer dizer que você não vai correr nenhum risco. Já o curta-metragem, é exatamente o contrário. É o lugar certo para você mostrar o que quer, com total liberdade de expressão.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que sim. Quanto mais curta-metragem você fizer, mais apto vai estar para um formato maior.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Ainda não sei. Quando descobri eu te conto.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não. Eu quero continuar escrevendo. Esse é o meu grande barato. Escrever muito teatro, TV e cinema: curta, média e longa-metragem. Acho que uma linguagem alimenta a outra. Quando eu escrevo teatro, aprendo mais sobre cinema e vice-versa.

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