sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Andrea del Fuego


Escritora e jornalista, publicou os volumes de contos “Minto enquanto posso” (O Nome da Rosa, 2004), “Engano seu” (O Nome da Rosa, 2007) e “Nego fogo” (Dulcinéia Catadora, 2009), além de diversos livros juvenis e infantis. Seu primeiro romance, “Os Malaquias” (Língua Geral, 2010), foi ganhador do Prêmio Saramago de literatura.

O curta-metragem é o parente mais próximo do conto?
Concordo, acho também que a fotografia está próxima do miniconto. A extensão curta, com um único núcleo dramático como definição comum do conto também pode valer para o curta. Mas assim como cada novo bom conto inaugura uma nova teoria do conto, também deve valer para o curta a constante renovação de sua definição a cada curta bem sucedido.

O curta, assim como o conto, tem a síntese como uma das suas funções mais importantes. Como é trabalhar com a síntese?
É procurar onde está a força central da história e fazer com que ela se mostre sem atenuantes.

Qual é o texto, conto ou livro que a senhora publicou que daria uma ótima adaptação em vídeo, seja no cinema ou no curta-metragem?
No cinema acho que o romance “Os Malaquias” e o juvenil “Sociedade da Caveira de Cristal”. Para um curta-metragem quaisquer conto que publiquei em antologias. Penso que dariam imagens porque parto delas ao escrever.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Taí outro parentesco do curta com o conto. Com o conto há menos interesse pelo fato de ele render menos desdobramentos como um longa-metragem, por exemplo. Já pela leitura em si não faz sentido o menor interesse justamente pela leitura rápida, condizente com o tempo cada vez menor dedicado aos livros. Os curtas devem herdar essa mentalidade.

O cineasta, ou produtor, que estiver lendo a sua entrevista nesse exato momento, pode procura-la para pedir autorização para uma futura adaptação da sua obra em vídeo?
Claro, seria uma alegria imensa!

A senhora gostaria de participar da adaptação ou preferiria ficar mais distante?
O interessante seria justamente ver o livro ser outra coisa, um ponto de partida ou de chegada, eu ficaria longe vendo essa fotossíntese.

Qual nome da nossa literatura mereceria ser tema de um documentário?
Hilda Hilst e Raduan Nassar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Dirigi alguns vídeos há muitos anos. Adoraria retornar, se alguém quiser uma diretora escritora, estou à disposição.

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