sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Inês Peixoto


Atriz. Atuou nos filmes “Meu Pé de Laranja Lima”; “Vinho de Rosas”; “5 Frações de Uma Quase História”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Afinidade com a direção, roteiro e com o projeto como um todo, e claro, uma personagem instigante.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
A minha primeira experiência em cinema foi em um curta-metragem dirigido por um grupo de jovens cineastas estudantes da FACE-MG, entre eles Rafael Conde, Érica Bauer, Álvaro Nobre, em 1982. O filme se chamava "Ainda Dormem os Homens" e abordava a questão da destruição das montanhas mineiras pela exploração do minério. Desde então, eu atuei em vários curtas. Alguns, tiveram uma carreira de sucesso, com participações em festivais no Brasil e no exterior. Posso citar "Os filmes que eu não fiz", de Gilberto Scarpa, pelo qual ganhei um prêmio SESC- Sated de melhor atriz em curta-metragem, "O Crime da Atriz", de Elza Cataldo, "Tricoteios", de Eduardo Moreira, Rodolfo Magalhães e Criz Zaggo, "Oxianureto de Mercúrio" de André Carrera, "Outono" de Pablo Lobato e "Revertere ad Locum Tum" de Armando Mendz, pelo qual eu ganhei prêmio de melhor atriz num festival de curtas chamado Comunicurtas, na Paraíba.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Críticas e notícias sobre o cinema brasileiro ocupam um espaço pequeno em nossos veículos de comunicação. Para os curtas-metragens esses espaços são ainda menores ou quase inexistentes. O porquê de ser assim eu acho que cabe uma discussão aprofundada. O problema começa com a dificuldade de exibição e distribuição que o cinema nacional enfrenta tanto para curtas como para longas.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Existem alguns festivais e programas de televisão dedicados à exibição de curtas. Existem alguns longas-metragens de grande sucesso compostos por curtas dirigidos por diferentes diretores. Seria interessante termos com mais assiduidade projetos que levassem os curtas para as salas de cinema durante todo o ano. Seria importante abrir uma janela para os curtas no circuito de exibição do país.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
A ideia de liberdade para experimentação deve estar associada à qualquer realização artística. Uma obra cinematográfica reúne diversos profissionais que vão gerar uma química de trabalho, que vai gerar um novo filme. O empenho e inspiração na realização de um curta deve ser o mesmo da realização de um longa. A diferença está no tempo usado para as filmagens. Por serem realizados em um espaço de tempo curto e terem um orçamento baixo, os curtas tornam mais possível a experimentação do próprio fazer cinematográfico.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acredito que sim. Muitos conseguem trabalhar somente em longas. Mas, a experiência do curta é preciosa e mais frequente em Minas Gerais. Como atriz, sinto um enorme prazer nas duas possibilidades.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
A receita do ator é trabalho, dedicação, inspiração e intuição aguçadas. Agora, para vencer no audiovisual brasileiro tem de ter muita sorte e estar no filme certo, na hora certa...

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Eu idealizei um projeto a partir de seis histórias curtas escritas por Tchékhov entre 1880 e 1886 e dirigi em parceria com o cineasta Rodolfo Magalhães. Este média-metragem chamado "Para Tchékhov" foi produzido pelo Grupo Galpão, com os atores do Galpão. Enfrento um problema para exibição: existem pouquíssimas possibilidades para exibição de médias-metragem. Mas, eu tive a experiência de roteirizar e filmar seis curtas que compuseram um média-metragem. Com uma equipe enxuta, eu e Rodolfo Magalhães na direção, Hugo Borges na fotografia e Eduardo Moreira na produção, filmamos seis histórias em cinco dias.

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