sábado, 1 de agosto de 2015

Michel Dubret


Cineasta. Dirigiu os curtas-metragens “Buraco”, selecionado pela 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e “Além da Janela”, ganhador de 12 prêmios no “Festival Mundo maior de Cinema”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A liberdade de poder experimentar sem medo. Por ser um produto para um público específico os curtas-metragens não tem um compromisso com retorno financeiro, é a vantagem que se tem por não ser reconhecido, desta forma vale, por vezes, mais o estilo que é apresentado do que a própria história em si. Uma ideia, um sonho, uma sensação costumam funcionar bem para o formato de curta-metragem. E esta liberdade me cativa.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
As vantagens que tive em trabalhar com curtas-metragens foram muitas, entre elas o fato de ser rápido e ter tempo de caprichar nas cenas até que eu fique satisfeito. Outro fator positivo é de poder experimentar novos tipos de linguagem, é a melhor maneira para formar um estilo. Falando um pouco sobre o lado negativo dos curtas, fica em primeiro lugar, pelo pouco tempo que se tem, a superficialidade das relações, ou seja, não há tempo para se aprofundar, para aprimorar as comunicações entre equipe e, fundamentalmente, entre atores e direção. Em segundo lugar é por começar a se apaixonar pelo projeto exatamente quando ele está acabando. Mas, no geral, os pontos positivos superam os negativos.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não posso dizer de fato. Apenas uma simples opinião a de que a mídia aponta para onde o dinheiro está, ou seja, onde puder alcançar o maior público possível em seu segmento. Desta forma, os curtas-metragens estão bem longe de se enquadrar na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Transmissão em TV aberta. Transmissão de festivais de curtas-metragens.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim. O curta é um espaço que passa longe do erro ou acerto. Ele existe fundamentalmente para, experimentar, arriscar e formar um estilo de maneira completamente livre.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Sim. É necessário que o curta-metragem exista antes de se fazer o primeiro longa-metragem. Não há forma melhor de praticar e pesquisar para que o longa seja feito com maior precisão, porque aí sim existe o acerto e o erro.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Respeitar o trabalho autoral, não importa a função. Ainda não engessamos uma forma de cinema para nos enquadrarmos na indústria do cinema mundial. O que temos de mais expressivo, orgânico, intuitivo e visceral tem que ser colocado em nossos filmes, antes que certos padrões sejam exigidos.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Penso em dirigir e o filme ainda está em processo de desenvolvimento. Quero, neste curta, experimentar uma linguagem nova para mim, mas antiga para "Cassavetes". A personagem que ditará o ritmo do filme, de acordo com suas emoções. Bom, ainda é um projeto embrionário, mas em breve será concretizado.

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