domingo, 4 de outubro de 2015

Henry Grazinoli


Diretor, roteirista e storytelling. Criador de conteúdo do Portal Tela Brasil. É dele e de Marcus Alqueres o curta-metragemThe Flying Man”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Pra mim fazer um curta, um media ou um longa significa a mesma coisa: fazer um filme. Meu trabalho e minha diversão é fazer filmes. Para um roteirista o que vale mesmo é ter o resultado do seu trabalho na tela. É ver o universo que criou transposto do papel para a tela. Na minha opinião não importa muito se isso acontece através de um curta ou de um longa. Tudo depende do que a história pede e do que é viável fazer. Claro que existem diferenças de mercado e mesmo de linguagem. Mas no que se refere a minha experiência do fazer, o curta me dá tanto prazer quanto outros formatos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Comecei minha carreira, como de costume entre profissionais do cinema, fazendo curtas. Isso foi numa época em que as tecnologias para realizar e exibir filmes não estavam tão disponíveis... Eu cheguei a montar um curta em moviola (apesar de não ser tão velho...). A gente fazia curtas com sobras de filme e dependia muito dos editais, dos prêmios, pra filmar com mais qualidade. Para exibir dependíamos dos festivais. Passar por isso me fez aprender muito sobre o meu trabalho. Hoje as coisas mudaram bastante. Estou co-dirigindo e produzindo um curta documentário. Montei um estrutura super profissional, com uma câmera fabulosa, gastando pouco. O "Flying Man", curta que escrevi, também mostra a força desse sistema de exibição pela internet. O filme teve uma repercussão imensa. Como disse, não sou tão velho assim. Mas vivi dois momentos muito distintos, duas realidades diferentes do curta-metragem no Brasil. Trabalhei nas duas realidades.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu acho que, em outra época, o curta era mesmo muito restrito a um pequeno grupo de pessoas. Mas sinto que isso está começando a mudar. A internet está mudando a lógica de outras artes, como da música. Com o cinema não é diferente. Se a mídia tradicional não dá atenção existem outras maneiras de chegar ao público, de "fazer barulho". O curta pode fazer outros caminhos de sucesso.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Quando era mais jovem a gente pensava em cotas de exibição de curtas nas salas de cinema. Hoje não é mais o caso. Acho mais importante pensar em estratégias bacanas de distribuição e divulgação na internet, por exemplo. E tem os festivais, que ainda são restritos, mas podem repercutir bastante um curta.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
É. A gente trabalha com muita liberdade num curta. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que sim. Sempre me pareceu e ainda me parece um caminho muito natural. Se você é bem sucedido num curta o caminho para o longa é mais fácil. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Nossa, quem dera eu tivesse essa receita (risos)... Acho que tem umas coisas que valem para ter sucesso em qualquer lugar: gostar do que faz, aprimorar a técnica e trabalhar muito. São clichês, mas na nossa caminhada profissional a gente vai percebendo que fazem o maior sentido.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já fiz alguns trabalhos como diretor e, atualmente, estou dirigindo um documentário curta pelo qual tenho o maior carinho. É um filme sobre o diretor de teatro Amir Haddad. Estou produzindo e dirigindo junto com a Vera Haddad, sobrinha dele. Estamos montando. O filme está lindo.

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