sábado, 17 de outubro de 2015

Lucienne Guedes Fahrer


Atriz, diretora e dramaturga. Foi coordenadora da Escola Livre de Teatro, em Santo André. Também, até 2010, foi formadora convidada do Departamento de Artes Cênicas na faculdade em que se graduou – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São (ECA/USP). Faz parte da Cia. dos Dramaturgos, que desenvolve um projeto de dramaturgia chamado Escrita Aberta.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Principalmente a qualidade do roteiro, se compartilho das ideias dele, tanto éticas como estéticas. Em segundo lugar, as pessoas envolvidas.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Não foram muitas, meu trabalho maior é com teatro. Mas, sobre as que fiz, foram experiências bastante ricas, sobretudo por conta de trabalhar com gente que se interessa pelo ator como "forma" do filme também, ou seja, o que ele aporta para o trabalho também é considerado e desejado, para além de representar bem um papel.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que por conta de não ter uma duração comercial. Acho que deveria ser diferente. Com o teatro também é assim, e a produção fica condicionada a durações padrão.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Seria bom te-los no cinema, ainda que nos momentos anteriores dos longas-metragens, por exemplo. Caso o problema disso tudo seja mesmo a duração não comercial.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida: ainda é um espaço em que se pode arriscar muito, mudar paradigmas. Além de ser um formato mais viável economicamente.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Reconheço que muitas vezes acontece isso. Mas não é, por si. O curta-metragem tem características próprias, estruturas próprias e também qualidades que se referem ao tempo da construção do filme. A sonoridade num curta, por exemplo, pode imprimir muito mais presença como elemento efetivo. Uma trajetória de um personagem pode se dar ao luxo de permanecer incompleta. A curta duração requer diferente recepção do espectador, também, o coloca num lugar diferente, frente a uma "economia", um outro ritmo, outra lógica mesmo.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Vencer?!? Não entendo o que seria isso, ainda mais no Brasil. Conseguir que muitas pessoas assistam ao filme? Se for isso, muita insistência, muito trabalho, fazer as coisas que façam sentido para si mesmo, sem pressa e sem perder tempo (como talvez diria José Saramago, sobre fazer cinema).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, muito em breve.

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