domingo, 4 de outubro de 2015

Lucas Bêda


Ator, artista visual e educador. É integrante da Cia. Mungunzá de Teatro.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A pergunta deveria ser: o que te faz não aceitar participar de produções em curta-metragem?

- Nada.

Grande parte de quem trabalha atuando no teatro tem pouca oportunidade de vivenciar a experiência de uma produção cinematográfica seja ela de um curta, um média ou longa. Experimentar novas linguagens de atuação é o grande barato em transitar no teatro e cinema - frente as câmeras ou observando o que rola por de trás delas.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já trabalhei em diversas produções de curtas, e já pude percorrer os bastidores de longas metragens. Dessas experiências como ator de curtas levo o compartilhamento de conhecimento. A possibilidade de conhecer um pouco mais a fundo a linguagem do cinema. Entender o mecanismo de produção coletiva me chama muita a atenção, ainda mais em longas, onde geralmente as equipes são muito maiores.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Infelizmente me parece que o cinema possui alguns dogmas vindo de muitos anos atrás e que ainda são mantidos. Principalmente sobre sua linguagem. E os curtas trazem consigo o estigma de espaço de experimentação dentro da linguagem cinematográfica, como se isso os rebaixassem a uma outra classe. Esse ambiente mantido pela industrial cultural injeta muito mais grana em projetos de longas metragens com uma linguagem mais segura, com mais facilidade captação de recursos, pois em tese traz muito mais retorno financeiro. E essa grana é que faz a visibilidade nos jornais ou mídias em geral. A grande circulação e exibição de curtas estão nos festivais nacionais e internacionais, prestigiados pelos amantes de cinema.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não tenho uma ideia definida, pois cinema é para ser visto em salas de cinema, dizem.
No entanto, enquanto não se tem a valorização de sua produção, que sabemos que é de larga escala e de muita qualidade no cenário brasileiro, temos que recorrer a novas possibilidades que desperte no público a curiosidade e costumes de assisti-los. Hoje temos a possibilidade de circula-los no campo virtual, ou em espaços alternativos. É preciso desbravar além da produção, que já não é nada fácil. Mas se faz necessário, e é possível. Um bom projetor e um boa caixa de som pode fazer milagre!

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Como disse acima esse é um estigma que o curta leva consigo. Creio que é um campo de experimentação tanto quanto qualquer filme de maior ou menor minutagem. Assim como podemos estigmatizar mais ainda a vídeo arte no campo da experimentação. Qualquer campo de comunicação é um espaço de experimentação de comunicação. O que se entende por experimentação, usualmente, é aquilo que é diferente dos padrões habituais ( os dogmas ). Pra mim sempre é experimentação quando decidimos fazer algo diferente do que costumamos. Como vídeo artista, pra mim, "Experimentação", seria fazer um filme como a cartilha do "bom cinema” manda.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Depende de onde este trampolim se encontra. Deve ser possível pular de um trampolim para outro, e não acho isso algo errado. Talvez historicamente, ou mesmo do costume popular, antes de comer algo que não conhecemos damos uma pequena mordida, apenas um gostinho da coisa. Uma pena entenderem o curta como essa mordidinha. Ou fast food.
Acho que longa, curta e média são diferentes gastronomias, mas todos são preparados na cozinha.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
A primeira e mais importante, e talvez única. Fazer filmes.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Penso. Sempre após o término de um trabalho em vídeo.

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