domingo, 22 de novembro de 2015

Eloisa Elena


Atriz e produtora. Em cinema fez os curtas “Todos os Dias São Iguais”, de Carlos Gradim, premiado no festival de Recife e Canal Bravo Brasil, e “A História Real”, de Andréia Pasquini, premiado no festival de Brasília.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
Depende da situação, mas antes de qualquer coisa é por fazer cinema! Adoro cinema, mas infelizmente faço muito pouco, então normalmente fico muito feliz quando tenho esta possibilidade. Outra coisa é poder estar em projetos que me interessam, poder dizer coisas que gostaria de dizer ou que tenham uma proposta de linguagem instigante. E em alguns casos poder estar e trabalhar com amigos, que é sempre muito bom!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Todos os trabalhos que fiz estavam diretamente relacionados a realização de projetos pessoais, um convite de um amigo, um projeto de formatura de um jovem cineasta. Então tinham aquela força de realização de desejos, de mobilização. Isto é muito bom. Coloca a todos numa condição de cúmplices, parceiros. E apesar da condição de produção mais simples, mais precária, o set tem um clima bom. O curta-metragem normalmente tem este ambiente, mas parecido com o teatro, de experimentação, de improviso. Eu adoro.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que é porque o espaço da mídia no Brasil é muito pequeno pra dar conta de tudo o que uma cidade culturalmente rica produz. Sempre que viajo pra outros lugares, me vejo fazendo esta comparação. Você pega um caderno de cultura de um grande jornal de outras cidades do mundo e vê um roteiro enorme, com tudo o que está acontecendo na cidade. De cinema, teatro, shows. Aqui a maioria dos roteiros fazem rodízio e o espaço pra crítica é muito pequeno. Então não tem espaço nem pro que é "comercial". E este é outro ponto, os curtas ainda são vistos como algo mais experimental. Falta a cultura de valorização, de produção e consumo de cultura. O acesso a tecnologia tem colaborado, porque hoje ficou muito mais fácil e barato produzir um curta, exibi-lo e divulgá-lo. Não estamos mais sujeitos a um único canal. Mas esta é uma mudança longa, que vai precisar de tempo pra ser efetiva.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Temos um problema de formação de público, independente de ser pro curta ou pro longa. Um longa menos comercial também sofrerá com a falta de espaço para exibição e de público. Dai o que penso é que é preciso um trabalho de formação, de base. Você vai em alguns bairros mais periféricos ou em pequenas cidades do interior e não tem 1 cinema, 1 sala de exibição, nada!  Era preciso que as TVs abertas veiculassem, as escolas promovessem estes espaços, os órgãos e agentes culturais.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não posso generalizar, porque acredito que a liberdade está em quem faz e não no formato. Se você quiser fazer um curta "enquadrado" fará, assim como pode fazer um longa e experimentar. Mas, de certa forma, exatamente por estar menos cercado de condicionantes, patrocinador, grandes salas de exibição, metas de retorno, os curtas tem um espaço mais propício à experimentação.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não acredito em trampolins. Acredito em trabalho, em sorte, em talento, em investimento, em insistência, em quem indica... E também acho que existem pessoas que investem no curta como linguagem e não só porque não conseguiram fazer um longa-metragem, ainda.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se descobrir, vendo a receita e fico rica!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não! Não tenho o menor talento para isto. Não sei dirigir, sou apenas uma atriz e é disto que gosto.

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