sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Karina Zichelle


Atriz e professora de teatro. Atualmente, desenvolve projetos como contadora de histórias junto ao Grupo Rodar. É atriz do Grupo Oba! de Teatro e já participou de outras companhias, como a Cia. dos Bobos e a Cia. Malta Teatral Camaleão Boca de Dragão.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O projeto como um todo, a proposta de roteiro, direção, e a experiência em si, de poder trabalhar essa outra linguagem no trabalho de atriz.  

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Bom, ainda engatinho nesse mundo dos curtas-metragens. A experiência mais significativa foi a participação, como atriz, na gravação de um episódio piloto de um seriado independente, chamado Apartamento 116. Era um projeto novo, concebido por alunos recém formados do curso de Rádio e TV,  com a contribuição de alguns profissionais da área de longa data. A experiência foi ótima. Claro que gravar 10 horas seguidas, dentro de um apartamento, num dia muito frio, de minissaia (figurino da personagem), não ajudou muito. Contudo, o episódio nunca foi concluído. O projeto passou por uma repaginação, e foi reestruturado em mais capítulos. Recebi o convite para continuar no projeto, mas como estava sem agenda compatível na época, não pude continuar as gravações.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que as produções de curtas estejam conquistando cada vez mais o seu espaço fora das mídias alternativas. Leva tempo para cair no gosto do público em geral, mais acostumado com as grandes produções cinematográficas. Penso que com a formação de público mais frequente para esse tipo de linguagem, os investimentos na área aumentem. Conquistar e afirmar seu espaço na mídia é um exercício e um processo de resistência.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Penso ser importante abrir espaço dentro dos cinemas tradicionais, aliado a uma ação de formação de público. Promover mais festivais de exibição em espaços públicos também pode formar público.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Geralmente os curtas tem produções independentes, o que propicia um campo para experimentação, longe dos contratos burocráticos e amarras do “o que é mais rentável” Acho que o próprio formato do curta facilita as possibilidades de tentativa e erro.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Não acho que é uma relação de mão única. Mas penso que, de certa forma, os curtas podem abrir espaço para os profissionais envolvidos (direção, produção, atores, etc.). Contudo, acredito que existam artistas que prefiram investigar a linguagem dos curtas sem ter a pretensão de se usá-los como escada para os longas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acho que tenha uma receita básica a ser seguida. Vontade e criatividade, primeiramente. Contatos, conhecer as pessoas certas na hora certa também ajudam. Uma pitada de sorte. Mas penso que o sucesso mesmo, vem com muito suor, trabalho e persistência. Amar a arte que faz e insistir nela.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Essa ideia já passou várias vezes pela minha cabeça. Mas para um futuro não tão breve. Penso em desenvolver mais a função de atriz nessa área para me apropriar da atmosfera da produção, por assim dizer. Quando sentir que a hora de dirigir chegou, assumirei o compromisso. Mas sem pressa.

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