domingo, 1 de novembro de 2015

Marcos Lemes


Ator, diretor, light designer, professor e artista plástico. Professor do Núcleo de Formação Cidadã da Universidade Metodista de São Paulo. É fundador, ator e diretor da Cia. Expressa de Theatro, sediada em Santo André (SP).

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Antes de mais nada eu adoro curtas. Um bom roteiro e um diretor criativo com certeza me estimulam a participar de um projeto. É sempre um exercício de atuação e de possibilidades de criação. Acho que o curta tem uma característica que os deixam muito mais interessantes: em geral não se tem medo de errar, e isso é um prato cheio para o exercício da criatividade.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sempre me senti muito bem nos sets de filmagem. Infelizmente fiz poucos curtas até esse momento. Mas sempre me possibilitaram o exercício de atuação de maneira bastante aberta.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não acho que esse seja um problema apenas dos curtas, mas talvez o fato da indústria cultural de certo modo querer ditar o que entra ou não em pauta. O problema é que muitos veículos compram essa ideia, se vendem, etc. Quantos espetáculos de teatro, quantas bandas, escritores também não tem seu trabalho divulgado? No entanto ações de resistência devem sempre se fazer presentes para, de alguma maneira, intensificar a divulgação desses trabalhos. Hoje com o avanço da tecnologia e o grande acesso das redes sociais, já temos alguns exemplos dessas ações. Um bom marketing de guerrilha também colabora bastante.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Sempre penso que toda obra de arte deve ser levada ao público. Então, além de ações mais tradicionais como exibição em todas as salas de cinema antes do longa, exibição em festivais de cinema, etc. Outras ações deveriam ser incentivadas, quer seja pelo poder público, quer seja pelas distribuidoras, enfim, por todos envolvidos com o cinema. Encontros com os realizadores, mais festivais segmentados, parcerias com espaços educacionais, artísticos, entre outros. Acredito que hoje com esses novos formatos, (assisti a alguns curtas incríveis realizados com celular) como o digital por exemplo, a exibição possa ser mais simplificada, o que facilitaria levá-la para muito mais lugares.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Assim como o longa-metragem também deveria ser. Quando qualquer profissional deixa de experimentar com liberdade ele deixa de fazer arte. Quando esse profissional passa simplesmente a reproduzir fórmulas, padrões, ele deixa de contribuir com a linguagem. Ele sai da categoria de realizador, criador, pesquisador e assume a categoria de fazedor.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Pode ser, se esse for o desejo. Acho que todo artista quer realizar sua obra e nem sempre ela cabe num curta. Eu acho que o filme deve ter o tamanho pra caber aquilo que se quer contar. Pode até ser um mini-metragem.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acho que deve ser um trabalho comprometido. Qualquer coisa fora disso acho que pode soar mal.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já dirigi um, chamado “O Morto”. Mas quero dirigir outros. Tenho muitas ideias e projetos.

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